A decisão do prefeito de São José da Coroa Grande, José Barbosa de Andrade, de vetar dois projetos aprovados pelo Poder Legislativo Municipal tem gerado forte reação e preocupação na cidade. Os vetos atingem diretamente pacientes atendidos pelo Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e professores da rede municipal de ensino, dois segmentos que dependem de políticas públicas responsáveis e contínuas.
Ao barrar o projeto que garantia recursos para o TFD, o gestor municipal fragiliza o atendimento de cidadãos que precisam se deslocar para outros municípios em busca de tratamento de saúde, muitos deles em situação de vulnerabilidade social. A medida compromete a segurança desses usuários e expõe uma condução administrativa distante da realidade de quem mais precisa do serviço público.
Da mesma forma, o veto ao projeto que previa aumento salarial para os professores representa um retrocesso na valorização da educação. A categoria, fundamental para o desenvolvimento social e econômico do município, já enfrenta desafios estruturais e cobra reconhecimento. Impedir avanços salariais demonstra falta de sensibilidade e de compromisso com a educação pública.
*Orçamento robusto e ausência de justificativa plausível*
O veto ocorre em um contexto em que o município conta com um orçamento aprovado de R$ 170 milhões, valor consideravelmente superior ao de gestões anteriores, quando o orçamento inicial era de R$ 75 milhões. Mesmo em períodos críticos, como durante a pandemia, os serviços públicos continuaram sendo executados, o que enfraquece qualquer argumento de inviabilidade financeira.
Além disso, os projetos vetados não comprometiam o funcionamento da máquina pública, não geravam atraso de salários, não causavam desabastecimento de medicamentos e não paralisavam serviços essenciais. Tratava-se de medidas pontuais, com impacto social positivo e plenamente compatíveis com o planejamento orçamentário.
Impacto direto na população
Ao vetar iniciativas que asseguravam direitos básicos na saúde e na educação, o prefeito assume uma postura que penaliza diretamente o povo de São José da Coroa Grande. A decisão gera insegurança para pacientes do TFD e frustração para professores que aguardavam reconhecimento profissional.
A condução desses vetos levanta questionamentos sobre prioridades administrativas, transparência e compromisso com o interesse público. Projetos que ampliam direitos e fortalecem políticas sociais não deveriam ser tratados como entraves, mas como investimentos essenciais.
Responsabilidade administrativa em xeque
A população espera de um gestor público responsabilidade, diálogo e sensibilidade social. Vetar projetos que beneficiam diretamente quem depende do poder público enfraquece a confiança da sociedade e evidencia um distanciamento entre a gestão municipal e as reais necessidades do município.
Em um cenário de recursos disponíveis e demandas urgentes, decisões como essas reforçam a necessidade de maior responsabilidade na condução do Executivo Municipal.
*✍️ Tenório Cavalcanti*