RETRATO POLÍTICO DE 2026: URNAS MOSTRAM DIVISÃO DAS FORÇAS EM SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE
As eleições de 2026 apresentaram um retrato claro da divisão das principais forças políticas de São José da Coroa Grande. Diferentemente de uma disputa municipal concentrada entre candidatos a prefeito, diferentes lideranças seguiram caminhos próprios na escolha de seus candidatos a deputado federal e estadual.
Os números permitem analisar a capacidade de mobilização demonstrada por cada candidatura, mas não devem ser tratados como votos pessoais das lideranças nem transferidos automaticamente para uma eventual disputa municipal em 2028.
GRUPO DO PREFEITO BARBOSA
O prefeito Barbosa apoiou Anderson Ferreira para deputado federal, Romero Sales Filho para deputado estadual e Raquel Lyra para governadora.
Anderson Ferreira recebeu 2.398 votos em São José da Coroa Grande.
Romero Sales Filho alcançou 2.187 votos.
Na disputa pelo Governo de Pernambuco, Raquel Lyra recebeu 6.885 votos (58,46%), enquanto João Campos obteve 4.773 votos (40,53%).
Anderson e Romero terminaram na liderança municipal de suas respectivas disputas.
Existe, porém, uma diferença importante no resultado final: Anderson Ferreira conseguiu se eleger deputado federal, enquanto Romero Sales Filho não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Romero, portanto, é mais um exemplo de que uma votação expressiva dentro de São José da Coroa Grande não garante, sozinha, um mandato estadual.
GRUPO DO PRESIDENTE DA CÂMARA NABUCO LOPES
Outro núcleo importante da eleição foi formado em torno do presidente da Câmara Municipal, Nabuco Lopes, e de outras lideranças que trabalharam com Juliana de Chaparral para deputada federal e Lara Santana para deputada estadual.
Juliana de Chaparral recebeu 2.258 votos em São José da Coroa Grande.
Lara Santana recebeu 1.168 votos.
Na campanha de Juliana também teve participação de destaque Neto de Carro Velho, entre outras lideranças locais.
Na disputa para deputado federal, Juliana terminou 140 votos atrás de Anderson Ferreira, numa diferença pequena entre as duas principais votações entre os candidatos analisados.
Juliana e Lara conseguiram se eleger em suas respectivas disputas estaduais.
O resultado mostra que o núcleo ligado a Nabuco Lopes e às demais lideranças que participaram dessas campanhas apresentou uma votação significativa, especialmente para deputado federal.
GRUPO DE PEL LAGES E NELSINHO DE PEL
Pel Lages e Nelsinho de Pel apoiaram Augusto Coutinho para deputado federal e Eriberto Filho para deputado estadual.
Augusto Coutinho recebeu 1.189 votos em São José da Coroa Grande.
Eriberto Filho recebeu 1.292 votos.
Os dois conseguiram se eleger.
Nesse grupo, entretanto, a comparação histórica com 2022 merece atenção.
Na eleição anterior, o então ex-prefeito Pel Lages apoiou Daniel Coelho para deputado federal. Daniel recebeu 3.546 votos, sendo o deputado federal mais votado de São José da Coroa Grande naquele pleito.
Mesmo com essa votação, Daniel Coelho não conseguiu se reeleger.
Para deputado estadual, Eriberto Filho também liderou em 2022, recebendo 3.084 votos.
Assim, entre 2022 e 2026, a votação do candidato federal apoiado pelo grupo passou de 3.546 votos, com Daniel Coelho, para 1.189, com Augusto Coutinho.
No caso de Eriberto Filho, a votação passou de 3.084 para 1.292 votos.
Matematicamente, são 2.357 votos de diferença na disputa federal e 1.792 votos na estadual.
A redução é objetiva, mas não significa que esses votos tenham migrado diretamente para outro grupo. Os candidatos, alianças e circunstâncias políticas de 2022 e 2026 foram diferentes.
Há ainda um contraste interessante: Daniel Coelho teve 3.546 votos no município em 2022 e não foi eleito; Augusto Coutinho teve 1.189 em 2026 e conseguiu o mandato graças ao conjunto de sua votação em Pernambuco e às regras do sistema proporcional.
GRUPO DE WAGNER DA CAÇAMBA
Wagner da Caçamba também seguiu caminho próprio nas eleições de 2026, apoiando France Hacker para deputado estadual.
France recebeu 809 votos em São José da Coroa Grande.
O dado também permite uma comparação histórica.
Em 2022, France Hacker havia recebido 1.197 votos no município. Em 2026, foram 809, uma diferença de 388 votos entre as duas eleições.
Assim como nos demais casos, a comparação mostra apenas a mudança numérica entre os pleitos e não permite atribuir automaticamente a diferença a uma determinada liderança ou grupo.
O QUE OS NÚMEROS MOSTRAM
O retrato das eleições de 2026 apresenta quatro núcleos políticos distintos.
O grupo do prefeito Barbosa trabalhou com Anderson Ferreira (2.398) e Romero Sales Filho (2.187).
O grupo ligado ao presidente da Câmara Nabuco Lopes e outras lideranças trabalhou com Juliana de Chaparral (2.258) e Lara Santana (1.168), tendo também Neto de Carro Velho entre as lideranças da campanha de Juliana.
O grupo de Pel Lages e Nelsinho de Pel apoiou Augusto Coutinho (1.189) e Eriberto Filho (1.292).
Wagner da Caçamba apoiou France Hacker (809) para deputado estadual.
Os números mostram uma diferença importante entre as duas principais votações para federal: Anderson Ferreira teve 2.398 e Juliana de Chaparral 2.258, uma distância de apenas 140 votos.
Para estadual, Romero Sales Filho alcançou 2.187 votos, Eriberto Filho 1.292, Lara Santana 1.168 e France Hacker 809.
2022 TAMBÉM AJUDA A EXPLICAR O ATUAL CENÁRIO
O retrospecto mostra como o cenário eleitoral pode mudar em apenas quatro anos.
Em 2022, o grupo do então prefeito Pel Lages colocou seus dois principais candidatos na liderança municipal: Daniel Coelho, com 3.546 votos para federal, e Eriberto Filho, com 3.084 para estadual.
Em 2026, as maiores votações municipais nessas duas disputas foram de candidatos apoiados pelo prefeito Barbosa: Anderson Ferreira, com 2.398 votos, e Romero Sales Filho, com 2.187.
Ao mesmo tempo, Juliana de Chaparral apareceu com 2.258 votos, muito próxima da maior votação para federal, enquanto os demais grupos também registraram suas próprias bases eleitorais.
Essa mudança é um dado político objetivo. O que não seria correto é afirmar que os votos de 2022 simplesmente passaram de um grupo para outro.
CONCLUSÃO
O principal retrato deixado pelas urnas de 2026 é de uma política local dividida em diferentes núcleos.
Barbosa, Nabuco Lopes e as lideranças ligadas às candidaturas de Juliana e Lara, Pel Lages e Nelsinho de Pel, além de Wagner da Caçamba, participaram da eleição através de diferentes candidaturas e apresentaram resultados distintos.
A comparação com 2022 mostra também que nenhuma votação deve ser considerada permanente.
Daniel Coelho teve 3.546 votos em 2022 e não foi eleito. Romero Sales Filho teve 2.187 em 2026, liderou a votação municipal para estadual, mas também não conquistou mandato.
Por outro lado, candidatos com votação municipal menor conseguiram se eleger por terem alcançado resultados suficientes no conjunto de Pernambuco e pelas regras do sistema proporcional.
Por isso, a leitura mais técnica das urnas não é somar os votos de cada grupo nem transformar os números de 2026 em uma previsão para 2028.
O que as urnas mostram é uma fotografia política de outubro de 2026: diferentes grupos, diferentes candidaturas e um eleitorado distribuído entre várias forças locais.
Até 2028, o principal ponto a ser observado será como esses grupos irão se reorganizar — mantendo seus atuais caminhos ou formando novas composições políticas.
