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O Sonho Que Começou Com Um Sim

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O Sonho Que Começou Com Um Sim

A vida é um espetáculo. Passamos por ela muitas vezes sem perceber como o tempo voa, mas a história sempre fica. São as lembranças que nos dizem se os momentos valeram a pena ou não.

No ano de 2001, a equipe do Curso de Informática de Barreiros (CIB) esteve na Escola Municipal João Francisco de Melo, oferecendo aos alunos a oportunidade de aprender informática. Para muitos, aquilo poderia ser apenas um curso, mas para mim, era um sonho.

Lembro-me como se fosse ontem do dia em que cheguei em casa, nervoso, sem jeito, tentando encontrar coragem para falar com meus pais. Eu queria fazer aquele curso, mas sabia que a resposta poderia não ser a que eu esperava. Minha mãe, sempre compreensiva, certamente me apoiaria, mas tudo dependia do meu pai.

A verdade é que não estávamos bem financeiramente. Nossa casa não tinha piso, nossas portas e janelas eram de papelão e plástico. Eu vendia pipoca e dudu para ajudar em casa, mas ainda assim, faltava dinheiro para a matrícula.

Com o coração acelerado, perguntei:

— Pai, será que o senhor pode me ajudar a pagar o curso?

Ele ficou em silêncio por um instante. Minha mãe, com os olhos cheios de esperança, interveio:

— Pague o curso dele. Quando eu me aposentar, pago o dobro.

Mas a resposta dele foi um golpe:

— Nem todo mundo nasceu para ser doutor.

Doeu. Não pela falta de dinheiro, mas pelas palavras. Minha mãe me olhou com ternura e disse:

— Não chores… amanhã é um novo dia.

E ela tinha razão. No dia seguinte, durante o café da manhã, sentei-me no meu lugar de sempre, à esquerda do meu pai. Ele, tomando seu café, olhou para mim e disse:

— Tome logo seu café. Você vai para Barreiros.

E então ele colocou o dinheiro da matrícula e da passagem em minha mão.

Naquele instante, meu coração se encheu de alegria. Abracei meu velho pai como nunca antes. Meu sonho, naquele momento, era simples: aprender informática e ter uma profissão.

Corri para Barreiros, fiz minha matrícula e participei da primeira aula. Ao sentar diante do computador, minhas mãos suavam, meu coração disparava. Foi quando o professor Mário Melo sorriu e disse:

— Calma, o computador não dá choque! (risos)

E assim começou minha jornada.

Hoje, ao relembrar essa história, vejo o quanto aquele simples “sim” do meu pai transformou minha vida. Sou blogueiro e jornalista respeitado em minha cidade. O computador, que um dia me assustou, agora é minha ferramenta de trabalho. Faço redação, edição de fotos e vídeos, formatação e até reparo sistemas.

Sou casado, tenho duas filhas, Késia a primogênita, desde pequena me vê trabalhando no computador e já entende de informática. Essa geração nunca tremeu diante de um computador! (risos)

Neste sábado, 15 de março de 2025, o professor Mário Melo encontrou duas fotos preciosas, verdadeiras relíquias que me fizeram voltar no tempo.

A CIB Informática marcou gerações, e agora queremos ouvir você! Se fez parte dessa história, compartilhe sua lembrança conosco. Se não tem uma foto, tem uma memória—e queremos ouvi-la!

Porque, no fim das contas, não se trata apenas de um curso. Trata-se de sonhos que nasceram ali… e mudaram vidas para sempre.

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