Na última sexta-feira, 22 de agosto de 2025, o projeto Conexão Litoral Sul realizou uma visita técnica ao Engenho Morim, em São José da Coroa Grande. A iniciativa contou com a presença do secretário de Turismo, Beto Casado, em parceria com o SEBRAE e a Sala do Empreendedor, além do apoio maciço do prefeito José Barbosa de Andrade, que tem incentivado ações voltadas para o fortalecimento do turismo e da cultura no município.
O encontro teve como objetivo mergulhar na história, na política e na tradição que envolvem o casarão e a antiga fazenda, símbolos da identidade local e do Litoral Sul de Pernambuco. A atividade proporcionou aos participantes uma verdadeira viagem no tempo, revisitando a trajetória de Estácio Coimbra e o legado cultural e ambiental preservado no espaço.
Às margens da rica paisagem de São José da Coroa Grande, no Litoral Sul de Pernambuco, ergue-se o imponente Casarão do Engenho Morim, testemunha viva da história do açúcar, da política e da cultura regional.
Raízes Coloniais
O Engenho Morim foi fundado no século XVII pela Baronesa de Gindahy, que posteriormente vendeu a propriedade ao Major Castello Branco. A história do casarão se entrelaça com a família Castello Branco e, mais tarde, com o nome de Estácio de Albuquerque Coimbra, que se casou com Joana Castello Branco, filha do Major.
Foi assim que o engenho passou às mãos de Estácio Coimbra, tornando-se sua residência temporária e cenário de acontecimentos políticos de grande relevância no início do século XX.
Estácio Coimbra e a Política Nacional
Figura de destaque na política, Estácio Coimbra foi chefe do Partido Republicano Pernambucano, governador do estado por duas vezes (1911 e 1928–1930), deputado, senador e vice-presidente da República (1922–1926).
No campo econômico, fundou a Usina Central Barreiros, que durante muitos anos foi considerada a mais moderna de Pernambuco. O Engenho Morim, nesse contexto, tornou-se um símbolo de poder e articulação política, além de ser a morada onde Coimbra passou seus últimos anos de vida após retornar do exílio em 1933.
O Casarão e a Natureza
A Fazenda Morim possui 1.024 hectares, com mais de 50% de sua área coberta por mata atlântica. Essa preservação natural propicia condições ideais para a existência de diversas espécies da fauna e da flora brasileiras, tornando o local não apenas um patrimônio histórico, mas também ambiental.
Cronologia das Posses do Engenho Morim
A trajetória do engenho passou por várias famílias e herdeiros ao longo dos séculos:
1882 – De Francisco Ferrão Castello Branco para herdeiros Briandina de Paula Castello Branco e Joana Castello Branco Coimbra.
1900 – Do espólio do Cap. Carlos Roberto Toté para Estácio de Albuquerque Coimbra.
1906 – De Cel. Minervino Nominando de Gusmão para Estácio de Albuquerque Coimbra.
1916 – De Cap. Manoel Castello Branco e sua mulher Almerinda Lins Castello Branco para Estácio de Albuquerque Coimbra.
1917 – De Estevam Paes Barreto Ferrão Castello Branco para Estácio de Albuquerque Coimbra.
1968 – De herdeiros de Estácio Coimbra para Heinz Spiegelberg.
1974 – Do espólio de Heinz Spiegelberg, Francisco Magalhães Castro e sua mulher, e Guilherme da Silveira Filho e sua mulher, para Heinz Spiegelberg Jr. e sua mulher Aurelia Lundgren Spiegelberg.
2003 – Do espólio de Heinz Spiegelberg Jr. para Diogenes de Oliveira Paes Barreto e José Lourenço de Oliveira Neto, filhos do Desembargador Carlos Xavier Paes Barreto Sobrinho.
A Riqueza Ambiental da Eco Fazenda Morim
Hoje, a área do antigo engenho é reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Eco Fazenda Morim, abrigando um dos mais conservados remanescentes de Mata Atlântica em Pernambuco.
A fazenda conta com nascentes que alimentam os principais corpos hídricos da região e abriga uma grande diversidade de espécies de aves, bromélias e árvores endêmicas e ameaçadas.
Foram registradas 200 espécies de aves, sendo 19 em alguma categoria de ameaça de extinção. Destas, 15 são endêmicas da Mata Atlântica do Nordeste. Entre elas estão:
Leptodon forbesi (Gavião de pescoço branco).
Momotus momota marcgravinianus (Jutuca)
Automolus lammi (Barranqueiro de olho branco)
Tangara fastuosa (Pintor verdadeiro).
A flora também é expressiva: 223 espécies vegetais já foram catalogadas, entre árvores, arbustos e palmeiras. Destas, 11 apresentam algum grau de vulnerabilidade e 7 são efetivamente ameaçadas de extinção. Entre elas, destacam-se:
Swartzia pickelii (Jacarandá)
Inga blanchetiana (Ingá)
Campomanesia aromatica (Guabiroba).
Toda a área florestada da propriedade é considerada de importância para a conservação da biodiversidade regional.
Do Passado ao Presente
Hoje, o casarão do Morim é reconhecido como patrimônio histórico, cultural e ambiental de São José da Coroa Grande. A antiga casa-grande de dois pavimentos, com alpendre corrido e imponência típica dos engenhos, mantém viva a memória de um período marcante da história do litoral sul de Pernambuco.
Além disso, a Eco Fazenda Morim representa um exemplo de como é possível unir preservação histórica, turismo rural e conservação ambiental, transformando um espaço de memória em patrimônio vivo para as futuras gerações.
O Casarão do Engenho Morim é mais do que um monumento do passado: é um elo entre a memória, a política e a identidade cultural e ambiental de Pernambuco.
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